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Depois de um mês, a vida volta ao normal

Meses se passaram desde a última atualização desse blog e mesmo com tanto abandono, vocês permanecem comentando, enviando emails e acessando. Já estamos no final de fevereiro e só agora vou colocar em prática a minha resolução mais importante de 2012: voltar a escrever. Sim, a vida empresarial me engole todos os dias e são tantas coisas para coordenar, projetos para executar e clientes para atender, que no final disso tudo, não sobra tempo para fazer o que eu amo: escrever. (Essa resolução exige um novo layout do blog, mas até que ele entre no ar, vou postar e escrever ignorando esse layout velho que tanto me incomoda.)  A sensação de que minha resolução está sendo colocada em prática tarde demais deve ser porque o meu ano começou com um turbilhão de acontecimentos, o Sul Fashion Week, é o maior deles.

Balanço final do SFW

Um mês depois do término do evento, minha vida voltou ao normal e só agora é possível fazer o balanço final. Consegui ler parte da cobertura da imprensa, tenho o retorno das marcas que participaram e um feriado prolongado como esse foi fundamental para organizar as idéias e compartilhar minha visão com vocês.

Já planejando a terceira, posso contabilizar as vitórias da nossa segunda edição. Entre elas está a realização dos desfiles dentro de um museu (MASC), inédito para o nosso público, também tivemos mais do que o dobro do público esperado nos desfiles. Foi uma surpresa, porque sempre desejei o formato de desfiles intimistas, apenas para compradores e imprensa especializada, mas a carência pela cultura de moda fez com que o publico geral procurasse os desfiles como uma manifestação cultural. Ponto para o SFW. Muito mais do que um negócio, vejo o evento com a ideologia e os valores da Catarina, porque acredito que é nosso dever contribuir para a evolução cultural da região sul. Então, se há a necessidade e a procura pela informação de moda, atenderemos a essa demanda.

A cobertura

Nessa segunda edição a imprensa compareceu em peso novamente. Vieram conferir a evolução de uma edição para a outra, o retorno foi o melhor possível e entre tantos elogios, recebi também conselhos valiosos de jornalistas com enorme experiência em eventos de moda, todos vendo com bons olhos a iniciativa e a luta para mudar o atual cenário do PR, SC e RS. Mas ainda é muito clara a expectativa da imprensa sobre o formato do evento, todos buscam entender a nossa proposta dentro de algum evento já existente. Então respondi por inúmeras vezes que não, não somos como Fashion Business e também não queremos ser São Paulo Fashion Week quando crescer. Pelo contrário, nosso caminho é bem diferente do já traçado pelos outros eventos.

Eles são gigantes, nós não. Eles tem muito dinheiro envolvido, nós não. Eles estão no mercado há muito tempo, nós não. Somos o oposto: independentes, em formato de showroom personalizado, unimos  marcas internacionais, nacionais e regionais no mesmo ambiente, representamos três estados e, principalmente, as marcas regionais não são lançadoras de tendências. Como poderiam ser? Ainda estamos em uma região que luta para sair do processo puramente industrial para uma nova visão, com mais moda e informação de vanguarda. Essas marcas participantes são bastante representativas para a região, estão em busca de crescimento, identidade própria e junto conosco estão construindo um novo momento. Em toda a cobertura do evento não houve críticas negativas (e não teria problema algum se tivesse), tudo foi visto da melhor maneira possível. Um dos nomes que ficamos muito felizes em ter aqui conosco foi André do Val, que veio cobrir pelo Chic (de Glória Kalil), e em seus textos ele cita a expectativa de crescimento do evento e também pontua que o salão de Denim poderia contar com mais marcas. André foi super assertivo em sua cobertura, concordo em todos os pontos. (sou suspeita porque gosto muito do trabalho dele, por isso fiquei feliz em tê-lo conosco e sabia que ele seria direto em sua visão e cobertura)

Mas aproveito esse gancho do André para esclarecer a minha visão de crescimento para o Sul Fashion Week, porque aqui no Brasil estamos acostumados a ligar sucesso ao volume (de marcas, público, desfiles…). Para nós, na Catarina, o sucesso e crescimento do SFW está ligado à qualidade. Minha proposta não é crescer e virar feira, muito menos sair de um hotel como locação para um centro de eventos. Planejo em permanecer com showroom com 40 marcas no máximo, assim conseguimos manter o que está sendo a chave do sucesso na nossa relação “evento + marcas”, porque conhecemos o objetivo de cada uma delas, entendemos o perfil e estratégia comercial e por isso conseguimos conectar os compradores certos para cada uma delas. Com 100 marcas isso se torna impossível… e perder essa relação me deixaria insatisfeita.

Por exemplo, na edição passada, quando tivemos muitas marcas no Denim Pret-à-Porter, percebemos que não valia a pena ter marcas presentes que estavam ali apenas pelo posicionamento e não pelas vendas como objetivo final. Então, reduzimos para poucas e ótimas marcas, com um mix que atendesse aos lojistas do sul do país e essa foi a melhor atitude que poderíamos ter tomado, porque o resultado foi imediato e bem sucedido.

O Sul Fashion Week tem identidade própria e nosso compromisso como organização é realizar um evento rendondo, bem acabado, que abra as portas para as marcas participantes.  Tudo isso foi entregue com muito sucesso e estou realizada com a evolução da primeira para a segunda edição. E entre meus principais objetivos também está o intercâmbio de marcas internacionais e nacionais, isso me motiva muito, você não imaginam o quanto.

Nossa conexão com a Espanha fica cada vez melhor e a relação com os estilistas Argentinos também foi incríve (agora estamos planejando a ida das nossas marcas para o evento deles). Mas boa parte das pautas focaram suas coberturas apenas nas criações catarinenses, porque será? Se a Anna Karenina (marca gaúcha) e  Zazo & Brull (catalã) estão no line up, me expliquem porque as marcas catarinenses estão como foco das coberturas? O fato de o evento acontecer em Floripa não justifica esse olhar direcionado, concordam?  Não é uma reclamação e sim um questionamento, entendam dessa maneira, por favor.

Zazo & Brull abriu mão de desfilar na 080 Barcelona para vir lançar sua coleção conosco, então como não perceber o desfile deles como importante marca do nosso line up? As criacões encantaram todos presentes no MASC, mas todo mundo admirou como um convidado especial do evento e não como um participante normal. Fiquei intrigada, mas até entendo que seja normal em um primeiro momento. Por isso, para nossa próxima edição iremos fortalecer esses lançamentos internacionais como importante parte do SFW, para que não sejam vistos de maneira equivocada, como a cereja do bolo.

(as fotos abaixo são do instagram do Finíssimo (Brasília), que veio conferir o SFW e fez uma cobertura linda também.)


A idéia original

O evento surgiu depois de eu viajar para tantas temporadas internacionais e perceber que além do line up oficial, os showroons paralelos e desfiles menores, em locações interessantes, tinham uma essência única, ainda não trabalhada no Brasil. Por isso mesmo não adianta querer suprir alguma expectativa ou comparativo com outros eventos já existentes, porque nossa fórmula vem da união de muitas inspirações das semanas internacionais. Não buscamos a reinvenção da roda, apenas somos um evento com nossa própria essência. É simples assim.

O calendário da terceira edição

Nunca concordei muito em ter duas temporadas em um mesmo semestre e nos outros seis meses outro um “apagão”. Não é realizado dessa maneira nos outros países e esse calendário está prejudicando a indústria brasileira de moda. Para quem vive dentro da cadeia têxtil e está consciente das dificuldades vividas pelo nosso varejo, sabe do que estou falando. Então se eu não concordo com isso, não acredito que seja correto propor esse calendário para o Sul Fashion Week.

O Sul Fashion Week deverá acontecer entre outubro e novembro de 2012. Assim que estiver tudo confirmadinho e certo sobre os dias que será realizado, eu aviso vocês, ok?


SCMC provoca reflexões e debates entre jornalistas

Eu tenho uma relação direta e emocional com o SCMC, como todos sabem. Minha história caminha paralelo ao projeto, que fechou seu quarto ano de atividade nesse final de semana, com dois dias de desfiles no hotel Recanto das Águas, em Balneário Camboriú.

 

O saldo final é bastante positivo, porque muito mais do que nas outras edições, as coleções causaram reflexões profundas e discussões que poderiam levar dias sendo debatidas. Como estávamos assinando a comunicação geral do evento, desde a campanha até a assessoria de imprensa, tive a oportunidade de gerar uma cobertura diferente sobre o evento. Com carta branca para convidar um seleto time de profissionais para vir cobrir, selecionei aqueles que tem olhar apurado sobre o cenário da moda nacional.

 

Essa decisão foi tomada entre eu e o Mário Queiroz (que é diretor criativo do projeto), algum tempo atrás, onde refletimos e conversamos muito sobre o jornalismo de moda brasileiro. Quem realmente valia a pena trazer? Quem são os jornalistas que tem olhar apurado? A grande importância dos blogs no nosso mercado de comunicação de moda… E a principal decisão estava em NÃO trazer aqueles veículos que vão de evento em evento regional, muito mais à procura de diversão que análise do que vêem na passarela ou no mercado local de moda. Grande parte das assessorias de imprensa simplesmente disparam um convite geral para o mailing e quanto maior a clipagem, melhor o resultado. Aqui o processo não é esse. Primeiro porque não trabalho uma assessoria de imprensa padrão, aliás nada na Catarina é padrão. Somos uma plataforma de informação e estratégia, por isso temos esse posicionamento diferente. Segundo porque nosso foco está no futuro do segmento de um estado e isso é muito maior que qualquer coleção apresentada em uma passarela.

 

O SCMC causou uma repercussão interessante entre os jornalistas. Gerou muitos momentos de reflexão, debates e análises sobre o projeto e o mercado de moda brasileiro. Por muitos momentos, durante essa conversas, pude afastar meu campo de visão e perceber as movimentações que o projeto causa por um outro prisma. Ouvi atentamente tudo que cada jornalista colocou, foram visões riquíssimas sobre o que estamos vivenciando aqui no Estado. Opiniões diferentes uma das outras, que irão ajudar a construir novas etapas nesse processo do SCMC.

 

A Vivian Whitemann, da Folha de SP, fez questionamentos importantes, não sobre o SCMC, mas sobre a cultura geral dos nossos estudantes de moda. Sobre seus anseios e perspectiva de carreira, enquanto eu conversava com ela, ouvia minha própria voz respondendo coisas que até então não haviam sido explanadas.

 

O mesmo aconteceu durante minha conversa com o Vitor Ângelo, do blog Dus***** Infernus. Conversamos muito e em certo momento da conversa chegamos no tema “imagem de moda”, foi aí que consegui decifrar a grande carência dos nossos estudantes de moda. Tinha algo que eu sabia e sentia a necessidade nos nossos alunos, mas sozinha não conseguia decifrar. A ausência de paixão pela imagem de moda, a falta de estudo sobre o tema é um grande problema que temos que solucionar. Porque a imagem de moda é o que move o mercado, que nos faz viciar em determinado produto ou ainda parar por segundos (embasbacados) na frente de um look incrível, de uma grande foto. Já estou vendo com o Vitor a possibilidade em trazê-lo para desenvolver isso com nossos estudantes.

 

Bem, todos os jornalistas que estiveram presentes, agregaram muito. Fiquei bastante impressionada com o carinho que todos tiveram com o projeto em si, sempre deixando claro a certeza de que esse é um projeto único, que merece ser acompanhado de perto. Eu só tenho que agradecer a TODOS que vieram até SC nos prestigiar.

 

E também agradecer especialmente ao Cristiano Santos, do Jornal de Santa Catarina, que foi prestigiar os dois dias de desfiles. O Cris era um dos poucos jornalistas de SC presentes no evento, não por falta de convite, porque nós convidamos muito a imprensa local…  Cadê a imprensa regional? As profissionais que se dizem “jornalistas de moda?” Desculpa, mas não consigo respeitar jornalistas de SC, que dizem trabalhar com moda, ignorar o projeto de maior peso que temos no estado.

 

Enfim…

 

Em um ponto, eu e todos os jornalistas presentes concordamos, SC tem muita sorte em ter um pólo têxtil incrível com um time de grandes empresários dispostos a investir e batalhar por um mercado mais preparado e competitivo. Isso é único e por isso o SCMC é tão especial!

 

Ah, não perca os posts sobre o SCMC:

 

Fora de Moda, por Ricardo Oliveros, aqui e aqui.

About Fashion, por Luigi Torre, aqui.

Lílian Pacce, por Glauco Sabino, aqui e aqui

 

Amanhã coloco o link aqui para os outros posts,ok?