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Celine Fall 2012

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imagem: Style.com


Yoshiyuki Miyamae, novo diretor criativo da Issey Miyake e eu

Um dia após o desfile da Issey Miyake na semana de moda de Paris, a convite deles, fomos até o showroom na Place de Voges. Um lugar lindo, super francês, nada fácil de encontrar, mas muito charmoso e encantador. Confesso que estava bem nervosa, fiquei tensa por mil motivos, afinal uma entrevista com japoneses, você não sabe até onde pode ir, questionar, muito menos se estarão abertos e serão simpáticos. Gosto dessas sensações na minha vida, acho importante valorizar cada conquista e vivenciar cada segundo especial…No dia em que eu não sentir mais o frio na barriga e não perceber a grandiosidade do momento que estou vivendo, largo a moda, porque é sinal de que não vivo mais encantada pela magia que me fez optar por ela.

Sempre gostei muito do trabalho realizado por Dai Fujiwara na marca, mas esse novo momento, com Yoshiyuki Miyamae, apresenta a possibilidade de renovação na Issey. A entrevista foi muito tranquila, fui surpreendida por uma calorosa recepção e muita simpatia nas respostas. Fui uma das primeiras editoras de moda a visitar o novo diretor criativo no showroom, fiquei honrada.

A delicadeza japonesa apareceu no contexto da nossa conversa, as respostas (que vocês verão na matéria que gravamos e estará no nosso site) são daquelas que nos deixam refletindo por horas. Pude fazer todas as perguntas que gostaria, e os trinta minutos que tínhamos com eles, acabou virando uma hora de entrevista. O material está ficando lindo, logo mais vocês poderão conferir no site da Catarina.


A moda que não está no Style.com

Não acredito que o mais valioso da criação na moda está nos grandes portais de moda, como o Style.com, e das grandes revistas. Concordo que ali está a informação que influencia o mundo inteiro e determina todo o caminho comercial do que veremos nas próximas estações. Valorizo a informação de moda massificada, dissipada para os quatro cantos do mundo, mas busco a minha própria construção de informação. Quero conhecer pessoas, entender o que elas propõe para a sociedade e de que maneira enfrentam sua realidade para atingir seus sonhos e ideais. Saio sempre mais rica das entrevistas, são experiências pessoais que vou levar para sempre comigo, na minha bagagem. Infelizmente a mensagem passada pelo olhar não há como ser transmitida por um texto ou mesmo em vídeo, porque essas conexões são estabelecidas entre pessoas e esse foi o tema principal que pautou essa última viagem que fiz. Não foi a pauta que determinei, até mesmo porque fui aberta para conhecer, ouvir e absover a mensagem que cada um gostaria de passar, mas todos citaram nas conversas a importância nas relações pessoais. As conversas fluiram, como se eu conhecesse todos há muito tempo, sem cerimonias ou mesmo barreiras que uma câmera algumas vezes impõe. Eles foram abertos, transparentes e contaram sobre sua vida, visões e desejos.

Fui ouvinte, me preparei para isso. Acredito que o conhecimento aliado à curiosidade é uma ótima formula para conduzir uma boa entrevista e foi assim que agi, sem pretensões, apenas direcionei como uma ouvinte curiosa. O resultado final me surpreendeu, tenho certeza de que irão gostar.

Minha seleção aconteceu com muita pesquisa, procurei por jovens profissionais, que estão buscando seu espaço na moda com boas coleções. Priorizei aqueles que possuem colaborações e já tem visibilidade, porém não estão estabelecidos como uma grande marca. Quis entender como esse processo acontece em países como Holanda e Republica Tcheca, que fogem do eixo França – Itália – Inglaterra. Queria traçar um comparativo com a realidade brasileira, ver a dimensão das nossas dificuldades.

Em Praga conversei com Pavel Brejcha, 35 anos, um estilista com histórico de dar inveja porque já passou um ano na Balenciaga e oito meses com Jean- Charles de Castelbajac. Depois megulhou no processo oposto das maisons, atuou como designer de sapatos na Zara. Pavel é uma pessoa profunda, marcada pelo comunismo, que o fez crescer em um vilarejo próximo à Praga. O contexto histórico/ social reflete nas escolhas e no processo criativo, a bagagem é densa e nos faz refletir nas reclamações que vemos aqui no Brasil e não são nada perto do que um estilista em Praga vivencia.

A caminho da casa de Pavel, em Praga.

Pavel é uma mistura de timidez com força. Pelo olhar mostra o coração enorme que possue e o talento criativo absurdo que está tornando um dos nomes mais importantes do seu país.

Em Amsterdam, Nick Rosenboon foi um dos estilistas selecionados para os nossos Docs. Quando chegamos em sua casa estava tudo pronto para nos receber, havia separado todo o material que mostrava seu processo criativo. Nick estava nervoso para gravar, mas em segundos a tensão passou e contou tudo que planeja para sua carreira. Ele, graduado no Fashion Institute Arnhem, já passou por grandes marcas como a Just Cavalli e percebeu que busca seu próprio caminho. Largou a experiência e agora segue com suas criações. A qualidade das peças produzidas são de fazer inveja para as melhores marcas brasileiras, os sapatos também são bem desenvolvidos, fruto de estudo de design. (Tudo isso vocês verão nos Docs.)

Nick também abriu as portas do seu apartamento antigo e lindo, localizado na parte mais moderna de Amsterdam. Com intimidade, fez com que nos sentíssemos em casa, apresentou seu companheiro e contou toda a saga para encontrar um apartamento tão amplo como o dele na cidade. A entrevista tomou uma manhã inteira, deveria ser uma hora, mas foi agradável demais.

Ainda em Amsterdam conhecemos Janneke Verhoeven, que aos 25 anos está com grandes colaborações, como ShowStudio de Nick Knight, onde assinou o figurino de uma vídeo veiculado no portal Nowness (do grupo LVMH). Uma típica garota holandesa, que chegou a sonhar em trabalhar com alguma das marcas japonesas (já participou da semana de moda de Tóquio como convidada especial), mas desistiu quando percebeu que ama demais o Dutch lifestyle para largar tudo e mudar de país. Mas essa desistência não muda a característica de sua criação, que lembra muito as marcas japonesas.

Janneke é calma e atenciosa, despretensiosa (característica de todos que entrevistei) mostra que vive a fase da experimentação do seu trabalho. Falou muito sobre a importância de conviver com artitas, pessoas criativas que a façam respirar esse universo no seu cotidiano, por isso adora o fato de dividir apartamento com um casal, sua melhor amiga e o namorado, que é um talentoso pintor. O apartamento dos três transpira criação, em cada cantinho tem um detalhe e um objeto que instiga e nos faz parar para olhar com atenção. Fotografamos tudo para postar no site da Catarina, na seção Jet Set, ainda essa semana.

Em Paris, entrevistamos muitos designers, dos mais diferentes lugares do mundo. Todos com lançamentos de muito peso. A foto abaixo mostra o Léo filmando a coleção de Malene Oddershede Bach, que vem de Copenhague, mas desfilou na última semana de moda de Londres. Era uma das estilistas presentes no Vaux Hall Fashion Scout, que reúne em um showroom 16 marcas. Foi lá ainda que entrevistamos a Andreia Chaves, nossa brasileira linda que está se destacando com seus sapatos jóias. Vcs acreditam que a Andreia foi a única que ficou sem foto? Fizemos o Doc e as fotos acabaram passando, já que ela estava super solicitada. Mas no Doc vocês poderão conhecer toda a trajetória dela e  o plano para a carreira.

Foram vinte dias de pesquisa e imersão na criação que vai além da passarela. Mais de 400 GB de material bruto e reflexões que me acompanharão por muito tempo. Vejo as inúmeras possibilidades que temos no Brasil, com uma nação que tem sede de novidades e está aberta à criação. Uma economia cada vez mais forte e uma infinidade de projetos e concursos e abrem as portas para os novos criadores. Vamos reclamar de quê? Agora, quando eu ouvir um estudante de moda reclamando de falta de oportunidade, vou sugerir que more em Praga por um tempo para conhecer a verdadeira dificuldade de lidar com a herança do comunismo.  Nós temos tudo nas mãos para seguirmos em frente e fortalecer o DNA brasileiro na moda, mas talvez esse seja o maior problema. Quanto temos tudo ao nosso favor, não valorizamos as oportunidades como deveríamos.

Se você também que ir além da informação massificada, acompanhe os Docs que serão postados no nosso site da Catarina, que está com novo formato e layout (lindo!). Nós iremos adorar compartilhar essa informação com os nossos leitores. <3


Paris Fashion Week em imagens (parte 2)



HarryHalim AW 2012 – Paris Fashion Week

O primeiro dia da semana de moda francesa sempre traz novos nomes, como o  hindu Harry Halim, que na sua terceira coleção entra para o line up oficial. O estilista, que desfilou em uma pequena galeria para um público bastante especializado, apresentou a continuação da sua última coleção.  Quem viu a última temporada e agora olha a proposta para o inverno 2012, praticamente não vê diferença. Em entrevista após o desfile o estilista fala sobre a inspiração que vem do inferno e como isso se traduz nas peças. Explica ainda que  essa coleção é a continuação da anterior. (Sim Harry, nós percebemos isso.)

O acabamento das calças que ele propôs não era perfeito e a finalização de algumas peças também não estava à altura de uma semana internacional, como a francesa. O perfil de criação lembra de Gareth Pugh, o que tem sido comum entre jovens estilistas de todo o mundo e tem seguido esse caminho.


Vídeo teaser Harry Halim AW 11/12 – Paris Fashion Week

Acabo de receber o vídeo teaser da marca Harry Halim, que desfila na próxima terça-feira, primeiro dia da semana de moda francesa, na Galerie Anne de Villepoix. Dramático. Já dá para ter uma noção do que iremos ver na coleção.


Notícias

Desde que voltei de Berlim – onde fui fazer pesquisa de consumo e comportamento (tudo na próxima edição da Catarina) e cobrir a Bread & Butter (vejam o vídeo que fiz abaixo) – o Blog está esquecido. Acho antes mesmo ele já estava. Mas se por aqui as coisas estão paradas, na realidade do dia a dia meu ritmo é o oposto das minhas postagens.

Muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo é sinal de que tudo está indo da melhor maneira possível. As pessoas me perguntam como aguento esse ritmo enlouquecido dividido entre nossos clientes (Grupo903), produção do nosso primeiro livro, pesquisa de tendências e ainda a Catarina. Não tenho outra resposta a não ser que amo tudo que faço, se eu colocasse a cabeça no lugar deveria realmente largar alguma coisa, mas impossível deixar de fazer aquilo que se gosta.

Nessa semana que começa, por exemplo, entramos no fechamento do nosso livro “More than Trends”. Para ser sincera com vocês, não foi um processo fácil a produção de um livro de tendências de 200 páginas. Primeiro porque estamos acostumados a fazer de olhos fechados revistas, não só a Catarina, mas como todas as outras que produzimos para empresas. E um livro exige outro tipo de curadoria de informação. Segundo porque  a preocupação em fazer o melhor conteúdo pesa todos os dias quando coloco a cabeça no travesseiro, é nesse momento que penso nas muitas pessoas que irão usar o livro como base para suas pesquisas e estratégias. São tantas informações ricas e preciosas, que 200 páginas não absorvem tudo que queremos trazer nessa publicação. Aí entra a arte da edição.

Além do fechamento do livro, temos o fechamento da 27 edição da Catarina. A preocupação é fazer sempre melhor, porque nossos leitores cobram isso. A edição que está nas bancas esgotou em boa parte das cidades que distribuímos, então como não tentar nos superar sempre? Estamos planejando novas estratégias, promoções de assinatura e canais de distribuição. Para isso, uma nova pessoa entrou na equipe, a Laís. Ela será responsável pelas relações de mercado da revista. Quer sugerir, pedir, criticar ou só falar com a gente? Manda email para ela: lais@revistacatarina.com.br

Tenho ainda que contar a vocês o trabalho de consultoria criativa que venho desenvolvendo na Dalila Têxtil (@dalilatextil ), uma das maiores indústrias da moda brasileira. Super responsabilidade e uma delicia de trabalho.

Com a responsabilidade de desenvolver um coletivo criativo dentro da empresa, tenho me envolvido em processos que vão bem além da comunicação  (que já desenvolvemos para a Dalila há dois anos). Minha dedicação tem sido enorme nesse novo projeto. A primeira pessoa que chamei para integrar essa equipe criativa foi o Felipe Capestrano, que acredito em um dos grandes jovens talentos que temos no Brasil. O símbolo desse projeto incrível é a casa que fica em frente à empresa e será a sede da equipe criativa. Uma construção de 1922 que está sendo reformada com todos os cuidados que uma casa tombada exige, tudo deve estar pronto inicio de 2011.

Casa de 1922 que será sede do núcleo criativo

E com Berlim ainda na memória, faz pouco mais de um mês que voltei da pesquisa por lá, já estou na fase de pré-produção da cobertura da semana de Moda em Paris. Três semanas para a viagem é pouco tempo para organizar todas as entrevistas, mas o Tiaguinho (@tiagofranco , Devassa) está pronto para correr atrás de todo o conteúdo comigo.

Antes de começar a série de desfiles, vamos dias antes para participar do A SHADED VIEW ON FASHION FILM , da Diane Pernet. Sempre quis conferir de perto o evento, mas sempre estava na semana de moda de Milão ou pesquisando em Londres. Nessa temporada optei em ficar apenas em Paris, por isso já vou alguns dias antes da Fashion Week.

Na volta dessa viagem, faremos uma série de quatro eventos (em quatro cidades diferentes) sobre tendências + consultoria personalizada. Isso também terei os detalhes mais tarde, mas posso garantir que será interessante e diferente do que há no mercado.