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Stella McCartney por Cathy Horyn – NYTimes Magazine

Não sou uma pessoa de ídolos. Até não consigo entender muito idolatria e fascinação de massa em cima de alguém. Mas admiro aquelas pessoas com quem eu aprendo algo e que trazem algo novo para nossas vidas sempre. Cathy Horyn é assim, super profissional, e uma das minhas musas inspiradoras.

Se você não conhece o trabalho do jornalista, hoje é uma ótima oportunidade para mudar isso. Acabo de ler o perfil escrito por Cathy sobre Stella McCartney. Um texto completo que une história, perfil de criação, tropeços na carreira e a forma de trabalhar atualmente. A matéria fica ainda melhor com as fotos de Damon Winter, que ilustram a pauta. (algumas delas postei abaixo, ok?)

Um dos melhores momentos da leitura acontece quando o texto passa pelas criações de Stella e Phoebe Philo para Chloé, durante o período de maior amizade entre elas e evolui para a transição de Stella para sua marca própria. Uma boa matéria faz isso mesmo, nos apresenta um novo olhar sobre um assunto já antigo. Obrigada Cathy.

Clique aqui para ler a matéria completa e já aproveita para deixar a coluna da jornalista na sua lista de favoritos.

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De onde você olha a moda?

Quem escreve sobre uma coleção precisa ver de perto acabamento, texturas e detalhes para fazer uma leitura de informações correta, o que muitas vezes é impossível ter através da passarela. Ali é apenas a vitrine do “TODO”, praticamente como desfile de escola de samba, sabe? A evolução da coleção (no samba é a bateria) mostrada na passarela é um dos itens a serem analisados, mas sem a percepção dos detalhes não dá para escrever sobre o toque do tecido ou então sobre uma técnica inovadora bem feita.

Para isso o backstage é passagem obrigatória para quem quer entender melhor a construção da roupa, onde os jornalistas – se tiverem paciência para enfrentar o caos da entrada – têm passagem livre para conversar com estilistas e acesso às roupas ainda nas arara, que é fundamental para conhecer a criação a fundo, isso tudo em dois momentos: antes ou depois dos desfiles. Nesse caso, estar na fila A não faz diferença. Na passarela é possível ver o look inteiro, analisar o resultado final e o styling, que pode derrubar ou levantar uma coleção. Mas não se vê detalhes das peças.

Jornalistas mas experientes, como Constanza e Lula Rodrigues, não deixam de entrar no back para dar uma olhada nas peças e tocar com as próprias mãos. Nas semanas internacionais Suzy Menkes e Hilary Alexander SEMPRE estão nos backstages analisando todos os detalhes. Lógico que sigo o exemplo deles e  aprendo com quem conhece muito mais do que eu. Aliás, sempre aprendo olhando os profissionais que admiro.

Se eu for até o backstage conhecer a coleção e conversar com o estilista, depois posso assistir o desfile na ultima fila, em pé ou onde quer que seja, porque o que vou captar naquele momento é a energia da sala, a força da trilha e ver o fascínio do público presente. Se eu perguntar para vocês qual é o melhor ângulo para ver um look na passarela, qual seria a reposta? Fila “A” certo? Para mim não, é o PIT dos fotógrafos. Ãh???

Isso mesmo, faça a tentativa pelo menos uma vez, a experiência será válida. Ali é onde os modelos param por segundos e acontece o namoro: modelos X câmeras. Eu gosto desse momento, acho fascinante. Não é nada fácil conseguir um espacinho no PIT, porque é um território que centímetros são disputados por todos. Mas eu garanto que vale a pena, viu?

Quem me vê ali, estranha. Talvez estranhe porque não faço pose e não acho que assistir de pé a um desfile seja o fim do mundo, o que vale para mim é o momento. Podem estranhar ainda a minha animação em buscar um espaço no PIT, acho divertido, as pessoas são animadas e sempre saem amizades daquele lugar. Uma verdadeira comunidade paralela dentro do universo de uma semana de moda.

(Em off: Se você for conferir a semana de moda em Milão, tem outro atrativo ainda: a beleza dos fotógrafos italianos. É fácil perder o foco da passarela para ficar olhando alguém ao seu lado. Desculpa meninos, mas sou obrigada a prevenir as mulheres sobre o charme avassalador dos italianos. rs)

Então, dentro dessa minha percepção acho a primeira fila uma delícia e fundamental para o marketing pessoal de cada profissional, mas roupa se vê de pertinho mesmo, lá no backstage. Porque desfile de moda é como jogo de futebol, se o ângulo não for bom, é melhor assistir e ver todos os detalhes do sofá da sua casa.

Detalhes de uma peça da coleção de Alexander McQueen A/W 2010


A crítica está mais crítica.

As semanas de moda serviram para apresentar as tendências,ou melhor, os caminhos que a moda brasileira vai seguir na próxima estação. Mas serviram também para mostrar a evolução do jornalismo de moda no mercado nacional.Tenho a sensação de que o mercado percebeu que a critica é necessária e que nem só de confetes e purpurina a moda é construída. Há seis meses quando fazíamos entrevistas e enquetes pelo corredores da Bienal, todos os críticos de moda relatavam (note bem: “relatavam”) o que havia sido apresentado na passarela, entre tecidos, formas e conceituação. Já nessa edição, a ausência de opinião sumiu, porque quando perguntávamos sobre estilistas e desfiles, o tom era outro. Desta vez, mais maduro, seguro e com muito mais liberdade de expressão. Inúmeros fashionistas apontaram falhas, pouca evolução de alguns criadores, erros de modelagens, repetição de estampas, tudo com um discurso muito mais afiado. Quem falou sobre falhas e expectativa não atendida, falou com muita propriedade, sabia realmente do que dizia.

 

Muitos fatores contribuíram para essa evolução, uma delas foram os blogs de moda, que ganham força e espaço no mercado. A liberdade de linguagem desse meio de comunicação evoluiu e permitiu que profissionais de outros veículos assumissem um posicionamento melhor em relação às criticas.

 

Muitas marcas não estão nem aí para a imprensa especializada, como é o caso da Colcci (leia o post bem escrito pelo Luigi), prestam atenção apenas no resultado de vendas. O que é uma pena, já que é válido ouvir o que os jornalistas de moda têm a dizer sobre a proposta apresentada para a próxima estação, né?

 

Entre as entrevistas realizadas pela Catarina, Igor de Barros – da V.Rom – foi o estilista que virou alvo das criticas. Mas não foi em tom negativo não, pelo contrário, os jornalistas gostam tanto do trabalho que ele realiza, que esperavam algo de novo nessa coleção.

 

Esse momento que o jornalismo de moda atravessa, caminha em paralelo à evolução do mercado em geral. Isso é super válido,  porque se o mercado cresce, a informação tem obrigação em crescer junto.