Jovens marcas dão fôlego para a moda brasileira

Jovens marcas no mercado, com poder de investimento e conhecimento de mercado, podem abrir uma nova possibilidade para a moda brasileira. Em geral, o cenário atual não é nada promissor, já que vemos marcas que tinham um bom produto e uma ótima proposta de atuação fechando suas portas. Outras, já consagradas, não estão conseguindo nem finalizar seus mostruários e ameaçam se unir a esse movimento de sair do mercado. Um passo antes da cadeia têxtil, na indústria (o fornecedor das confecções), esse processo está bem caótico e é um pouco assustador para algumas empresas. Grande parte das malharias passam por grandes desafios e estão “enxugando” a máquina, há corte de colaboradores e investimentos de marketing. Já os produtores de tecido plano não enfrentam esse problema, por ser um momento que a alfaiataria é a menina dos olhos das marcas. Algumas malharias chegam a abrir a possibilidade de produção para seu cliente direto, onde as confecções apenas terceirizam o processo de desenvolvimento e assumem toda a produção, inclusive do fio. Ou seja, grande indústrias são reduzidas a máquinas de desenvolvimento. O resumo disso tudo é a busca por melhores preços de matéria- prima. Conversei com o Rafael Lange, da Liverpool, sobre a iniciativa deles de assumirem a produção da malha. Esse depoimento nos faz entender melhor a vantagem dessa produção:

“Com o aumento do algodão e a dificuldade em se adaptar as coleções e cores das malharias de todo o Brasil, resolvemos buscar um caminho diferente. Produzir nossa própria malha. A princípio parecia algo muito surreal, mas quando se conhece o processo de tecelagem e tingimento, acaba não parecendo tão difícil. Encaramos o desafio e compramos um fio importado da Argentinda, tecemos em Brusque e tingimos por lá mesmo, porém, acrescentando um processo a mais ( que a gente atribui como a “fórmula da Coca-Cola”). Voilá…o tecido ficou maravilhoso…toque aveludado, 0% de encolhimento e, principalmente, não somos mais refém das cores das malharias. Nós temos nossas cores.  Além de melhorar o custo, pois fizemos todo o processo, ter controle da qualidade e não depender de ninguém é impagável! Compramos 1 tonelada e meia de fio. Agora o bixo pega.”

Adoro essa explicação do Rafa: simples, direta e sincera.

Voltando ao assunto da dificuldade de algumas marcas, vale lembrar que isso está acontecendo em um segmento do mercado, o mais posicionado, que atinge o público de maior poder aquisitivo. Não deveria, mas é isso que vem acontecendo. A roupa brasileira está cara demais, claro que há a questão de impostos e valores de produção, mas boas marcas cobram valores que não condizem com a realidade brasileira. E o público que deveria adquirir essas marcas, muitas vezes, consomem mais quando estão no exterior. Em fevereiro, durante uma reunião com diretores de instituições brasileiras de moda que aconteceu em Paris, esse tema foi discutido e lembro que a preocupação era enorme, porque havia sinais de que em na metade do ano, marcas entrariam em dificuldade. Eles tinham razão, porque isso está acontecendo e vemos a imprensa especializada noticiando o fim de algumas marcas.

No mercado popular, esse problema não existe. Cada vez mais fortalecidas, as marcas que não apresentam qualidade alguma e assumem uma criação que passa pela vulgaridade, batem recordes de vendas e enfrentam o mercado de cabeça erguida. O problema vem quando elas cansam e ,com muito dinheiro no bolso, resolvem que é hora de “reposicionar”. Me-do.

Dinheiro para isso elas tem, o que falta é o conhecimento de moda. Muitas chegam a contratar equipes inteiras de criação, mas a questão cultural é forte demais e não dá certo esse momento de transição. Se alguém lembrar de algum case de sucesso, me fala, por favor? Sinceramente, não lembro de nenhum nesse momento. No próximo post, vou trazer um pouco da Fenim, assim continuarei mais nesse assunto.

A questão é que estamos precisando de marcas bacanas, com qualidade e conhecimento de produto. Mas com preços justos para que consigam se estabelecer nessa fatia de mercado que propõe a criar moda comercial, com identidade, autoral e não conceitual. Nesse momento temos um perfil de marcas que  estão dispostas a batalhar pelo seu espaço no mercado,  uma delas é a Pop Up Store, da Fabiana Justus, que desfilou no último sábado no MUBE. A beleza assinada pelo make up artist Lavosier, traz a presença da Eudora, nova empresa de cosméticos do Grupo Boticario.

Crédito das imagens: Luciana Prezia

Carla Lamarca e Fabiana Justus no pocket show que aconteceu na loja da própria Fabiana

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