Eu e Rita Lee? Só Jean mesmo para conseguir isso. ;-)

Ao longo da nossa vida encontramos pessoas que marcam nossa história. Se estivermos bem atentos a cada característica dessas pessoas especiais que cruzam nossos caminhos, aprendemos, crescemos e evoluímos como pessoas. Tenho aprendido muito através da atitude das pessoas e mesmo nas decepções é necessário crescer e levar algo positivo da experiência.

Decepções tem sido uma constante na minha vida ultimamente, porque acredito nas pessoas até que provem ao contrário. Me decepciono sim, mas continuo tendo fé nas amizades, na convivência e no coração de pessoas como Jean Mafra.  Pena que nem todas as pessoas são como ele, que é um exemplo de talento, humildade, inteligência e, acima de tudo,  generosidade. Um grande músico, compositor, artista e DJ.

Esse texto que ele escreveu para mim, surgiu como um presente nessa semana.  Uma homenagem a Rita Lee e a mim também, nem acreditei de tão lindo. Na verdade o texto deveria estar na última edição da Catarina, mas por algum problema não vi na minha caixa de entrada na época do fechamento da edição. Deve ter sido meu anjo da guarda que  achou melhor que eu lesse apenas essa semana, quando realmente precisava voltar a acreditar em amizades verdadeiras.

Jean, obrigada pelo carinho. Sou sua fã hoje e sempre!

Jean Mafra: músico, compositor, DJ, artista e meu amigo ;-)

“rita lee: on the rocks”  por jean mafra

Eu lamberia a maçaneta que ela tocasse e faria parte do backing vocals só pra cantar o tempo todo “shoobedoodaudau”. E aí, de quatro, no ato (pois, Bwana, Bwana, seu desejo é uma ordem!), se tivesse que fazer a ingrata escolha entre seus discos e os dos Mutantes, não teria dúvidas: Rita Lee. yeah, yeah, yeah!

Rita Lee Jones inventou o sexo risonho e apaixonado quando não havia isso para as (pudicas) moças desse país, antes tão tristonhas como os choramingos das cantoras que lhes representavam (Celly Campelo, Wanderléia, Martinha — todas umas bunda-moles se comparadas à ela). Mais: antes da poderosa Patti Smith surgir pros gringos com seu Horses (1975) Rita já bradava irônica e cheia de ambigüidades (e em plena ditadura, na barra pesada do que era o Brasil das famílias de bem): “faço coleção / de lacinhos cor-de-rosa / e também de sapatão / mas o que eu quero mesmo / é por os meus pés no chão / é só questão de gosto / lacinhos cor-de-rosa ficam bem num sapatão…“. Hoje qualquer rapariga metida a roqueira, com seus alargadores e tatoos da Betty Boop, deveriam enviar uma carta em agradecimento pelos seus serviços prestados às Ovelhas Negras de todos os tempos. Marina Lima? Pitty? Tati Quebra-Barraco? Todas, ao cantarem o sexo com e/ou sem amor, devem um pouco a tia Rita (como ela mesma passou a se auto denominar a partir da década de oitenta ao se referir aos novos roqueiros tupiniquins).

Há uma impagável entrevista dada por Tom Zé ao documentário Ovelha Negra em que ele reforça essa idéia dizendo que a cantora ofereceu uma grande educação sexual as meninas brasileiras na década de 70.

Mas ela foi além. Foi pop star de fôlego e inteligência provocativa num período meio decadente da música brasileira, a virada dos 70 pros 80. E foi duramente malhada pela crítica por seu sucesso no período (insistiam num lenga-lenga de que estava se vendendo e que já não fazia rock). Algo que ainda não foi seriamente reavaliado é a qualidade dos discos que ela e Roberto de Carvalho produziram nessa época. Em 5 anos os dois colocaram na rua hits antológicos ― na seqüência, e para ficar apenas com os mais conhecidos: Miss Brasil 2000 e Jardins da Babilônia (1978), Chega Mais, Doce Vampiro e Mania de Você (1979), Lança Perfume, Baila Comigo, Nem luxo Nem lixo e Caso Sério (1980), Mutante e Banho de Espuma (1981) e Flagra (1982). Se os discos desta época não eram tão roqueiros como queriam alguns, é preciso frisar que rock não é apenas guitarra e distorção, mas algo que vai além e que está presente no cerne todas as canções da cantora nesta e em todas as fases de sua carreira (com o perdão da palavra batida), atitude. Apesar de hoje não ser nada mais que um slogan publicitário, Atitude é o que falta a boa parte daqueles que se dizem roqueiros no Brasil. Ou que sobra em forma de manipulação, quando, por exemplo vemos esses moços com pose e sem som. Ela tinha isso e mais. Foi em 1977, com uma provocação ao cenário musical brasileiro, que titia Rita engatou rumo aos seus anos de vacas gordas com o compacto (single) de Arrombou a festa (em que, com muito humor, desdenhava, alfinetando uns e outros, dessa coisa de corporativismo chato que reina na música brasileira desde então).

O legal, e que tem a haver com essa coisa de, chamemos atitude, é que nossa rainha do rock udigrudi continua fazendo o que gosta e do seu jeito. Sua postura é a cara da revista que você lê agora, que a despeito das dificuldades que aparecem continua em frente. Parabéns a Catarina, por seu aniversário, e a sua fundadora e principal responsável, Patrícia Lima, por acreditar no que faz. Catarina, Patrícia, Rita, cheias de atitude, um dia resolveram mudar e fazer tudo que queriam fazer!

Agora só falta você (yeah, yeah, yeah)

4 Respostas

  1. Jean Mafra – és especial e real. Lindo tema e ótimo nas observações certeiras. Amei cada informe teu. Recordei cada som – que hoje ganha espaço em inúmeras rádios e na história da música do Brasil – e me encantei em cada nova/antiga colocação tua.
    Estás de parabéns!
    Por lembrar, principalmente, que Rita Lee Jones já é imortal, mesmo que a “entrrem” mil vezes, por que ela se erguerá milhões de vezes.
    Beijos.
    MIRIAM

    2 de março de 2010 às 11:31 am

  2. Muito bom o texto!

    2 de março de 2010 às 9:39 pm

  3. Belo texto, bela amizade e encantadoras recordações da nossa musa Rita Lee.

    Parabéns pela revista, viu?

    beijo

    5 de março de 2010 às 1:33 am

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