A gente só briga com quem ama.

Todo relacionamento pode passar por altos e baixos. As crises ajudam a aparar arestas e evoluir, mas normalmente aponta para algo que, no momento, não está bem. Meu relacionamento com a moda está passando por uma crise. Tenho andado sem vontade para algumas coisas, preguiça de ver a monotonia em outras. Será que o meu encantamento com a moda anda abalado? Sinceramente estou com pouca paciência para várias coisas que tenho visto e lido por aí. Não me animei nem um pouco com o Fashion Rio, acompanhei por questões profissionais, mas não por vontade mesmo, sabe? Agora li no site da Glória Kalil o editorial que aponta a “volta das tendências”. Quem decretou o fim delas há algum tempo? Não fomos nós mesmos,  jornalistas e profissionais de moda?

Agora que parece que o assunto acabou, resolvemos resgatar o rótulo “Tendências”?  Não estou falando da Glória, que super admiro, falo de uma maneira geral. Já a Erika, que também é incrível, foi absorvida pela Luminosidade de vez. Ruim? Não, principalmente para ela, que deve ter recebido uma boa proposta. Mas gente, tudo é da Luminosidade agora? Que preguiça disso tudo. Daqui a pouco engolem a Regina Guerreiro e a Constanza tb, se é que isso já não aconteceu. (hihihih)

A moda não é muito maior do que a discussão a existência ou não das tendências, concorda? Cansamos das passarelas? Será que é isso? Vejo todo mundo desanimado com o Fashion Rio (de novo). Porque nossa expectativa não foi suprida?

Acho que é hora de nós mesmos fazermos algo. Olhar para a moda de outra maneira já ajudaria muito. Me ajudou alguns dias atrás, quando tive que estudar mais sobre o hábito das evangélicas. Pesquisar sobre um público que não está nas semanas de moda e sim na igrejas, mostra a importância da moda na sociedade. Parece tédio, mas eu adorei.

Sabe o que é pior? Fiquei pensando nas pautas que iria cobrir durante o SPFW para o nosso programa de TV, na Record. Pensei, pensei… e decidi não cobrir nenhum desfile para a TV. ahahahahhaha

Isso mesmo. Não quero cobrir o backstage mais uma temporada com as mesmas perguntas e a principal de todas: “Fulano, que foi a inspiração para essa coleção?” Gente, me nego a fazer isso de novo. E no tumulto todo, assessores e estilistas não querem fugir dessa pergunta, pautas diferentes ocupam tempo e exigem respostas diferentes, que naquele momento eles não querem pensar. Por isso tomei essa decisão. Enquanto vai se falar em SPFW em todos os cantos, aqui no blog inclusive, na TV vamos passar um especial sobre as rendeiras de SC. Mulheres que tecem maravilhas com as mãos e estão perdendo a tradição da profissão de geração para geração.

De qualquer maneira, estaremos lá com equipe e nossas câmeras para fazer o que quisermos. Prontas para gravar se algo interessante aparecer ou então não fazer nada se não nos der vontade. Animada estou para rever os amigos, como sempre. Mas acho que essa “preguiça” vai passar quando eu colocar os pés na Bienal(rs), afinal como diz a sabedoria popular, a gente só briga com quem ama, né? E amor pela moda é algo que não falta em mim.

Para fechar esse post com uma imagem desse amor, essa fotinho toda desfoca que tirei no último desfile do  Gareth Pugh tá valendo. Ela lembra o frio na barriga que sinto quando vejo uma coleção linda.

Então, que venha o SPFW!!!

17 Respostas

  1. amei seu post pati. e acho que geral (que pensa) tá se sentindo asism também. ponto pra gente que trabalha com consultoria – que acha graça nos jeitos de usar e não NO QUE usar. daí não tem tanta frustração, sabe como? doida pra te encontrar. beijoca!

    14 de janeiro de 2010 às 12:24 pm

    • Então Fê, acho que esse sentimento vem para quem trabalha com a moda real mesmo. Vcs trabalham com consultoria, eu trabalho com empresas focadas no público C/D e adoro isso. Falei da moda evangélica, nem cheguei a citar as marcas que trabalho e são direcionadas para as gordinhas. Nas revistas customizadas que desenvolvemos, penso na leitura dessa consumidora que tem dificuldade com roupas. A moda deve ser aliada de todos e com tanta bobagem por aí, está longe de acontecer. A superficialidade incomoda quem conhece a moda real, essa é a questão mesmo.E semana de moda deveria nos fazer sonhar, nos empolgar… Infelizmente isso não tá rolando, né?

      14 de janeiro de 2010 às 12:47 pm

  2. Camila

    Como sempre, os textos em que tu reflete teu amor, paixão, raiva momentânea e depois amor de novo pela moda, sempre me inspiram!!!!
    Adorei!
    Beijos

    14 de janeiro de 2010 às 12:58 pm

    • Ca, pq não coloca o link do seu blog? Aliás, vc tem atualizado?
      beijosssss

      14 de janeiro de 2010 às 1:07 pm

  3. Adorei o seu texto e tb me sinto assim, parece que as coisas estão mornas por aqui! e isso causa um desânimo geral, não cubro os desfiles no meu blog pq não me empolga…. gosto mais de ver as pessoas como elas são nesses eventos, acho que hj em dia tem me dito mais coisas do que os desfiles e suas “tendências”….
    Parabéns pela ótima reflexão e pelo blog

    Bisous…

    14 de janeiro de 2010 às 1:23 pm

  4. Vi

    Adorei ler sua opnião,pois, concordo com ela.
    Beijos

    14 de janeiro de 2010 às 1:36 pm

  5. Olá Patrícia!É a primeira vez que entro no seu blog, por indicação da Fê, da Oficina!
    Faço Jornalismo pra me especializar em Jornalismo de Moda e adorei seu texto, principalmete o trecho em que vc fala sobre a volta da tendências, quando ainda são (de certa forma) usadas nas ruas. Me interessei muito sobre o seu estudo sobre as evangélicas, sou uma! Vc vai postar aqui no blog ou foi pra alguma pauta específica? De qualquer maneira, se puder, por favor avise quando sair e onde sair! Thanks =D
    Enfim, parabéns pelo texto maravilhoso e já virei frequentadora assídua do blog!
    Beeeijos

    14 de janeiro de 2010 às 2:30 pm

  6. Anna Valente

    Patricia. Adorei seu texto. Eu nao trabalho com moda, mas tenho um olhar naturalmente direcionado a ela. Consumo as mídias, pesquiso, vou a desfiles, compro, discuto, defendo, conheço…
    Me decepcionei muito com o Fashion Rio e com o jornalismo focado em moda. A overdose de informação IGUAL dos sites, blogs, e revistas me cansou de tal maneira, que perdi totalmente a vontade de ir no SPFW que fica do lado de casa. Todos gostaram da mesma coisa, mostraram a mesma coisa, as mesmas pessoas… Um saco!
    Inteligente decisão de não ser mais uma fazendo tudo igual… Não conhecia seu trabalho de perto, além do que vejo no Face ou sobre o que a Aline comentou comigo, mas estive em Floripa, vi uma revista e decidi “consumi-la” tbm.
    Parabéns pelo teu trabalho e por essa visão de mercado que te coloca dentro do conceito que eu tinha a, sei la, 10 anos atras, de que as pessoa que trabalham com moda são inovadoras, são criativas, ousadas, atentas, mas utilizam essa capacidade tbm para contribuir na melhoria do dia a dia das pessoas que não possuem esse dom, mas que querem estar bonitas, confortáveis e dentro dos seus padrões de beleza e comportamento.
    Um beijo!!

    Anna.

    14 de janeiro de 2010 às 2:38 pm

  7. Gostei muito do que li. A imprensa está muito focada na divulgação de produtos que chegarão nas mãos de poucos e de desfiles. Sim, reconheço que desfiles são a cereja do bolo, todo mundo está vendo e babando, mas na hora de comer, a gente vai comer é o bolo, não é? (Ai, baixou um Lulinha metafórico aqui… rs). Parabéns pela escolha das rendeiras para o programa. Sempre lembro do Ronaldo Fraga falando aqui no Senac-CE que luxo não é LV; luxo é uma peça de renda, porque daqui a 20 anos não vai ser fácil achar uma rendeira no litoral desse Brasil, já que suas filhas e netas não querem seguir a atividade. E esse trabalho super artesanal, delicado vai sumir. Abs!

    14 de janeiro de 2010 às 2:50 pm

  8. Essa Patricia é o bicho! Sabe “duma” coisa? A gente nem se toca que se enche da moda pelo amor que a gente sente por ela. Bem isso! Hj, por exemplo, queria mandar a moda ver se eu tava na esquina. Mas sei que segunda já passa. ( Graças a Deus ) Bjs minha irmã!

    15 de janeiro de 2010 às 8:55 pm

  9. Para compreender melhor a frase faltou uma vírgula : “a gente nem se toca que se enche da moda, pelo amor que a gente sente por ela” ….

    15 de janeiro de 2010 às 8:57 pm

  10. Simone Mariano

    Oi Patrícia,
    Acompanho seu trabalho e sou sua fã, assim como da Catarina. Morei em Floripa e sou amiga do Sid e da Bianca. Curti demais este seu “desabafo” em relação às tendências e principalmente a sua ATITUDE em relação à sair desse círculo vicioso que são as notícias sobre moda nos grandes centros do eixo Rio-SP. E sim, tudo que lemos parece apenas um réplica melhorada ou não do assunto.
    Eu sou gordinha e mega sofro por falta de matérias específicas vindas de profissionais da área de moda aqui no nosso país. Nos exterior já “acordaram” para esta necessidade.
    Mas olha, o que você disse sobre só brigarmos com quem amamos, é muito verdadeiro. Tenho uma Agência de Publicidade e tive uma crise semana passada sobre a MESMICE em alguns assuntos da área. Mas hoje estou aqui na Agência APAIXONADA criando o design de um CARDÁPIO…risos.
    Beijo.

    16 de janeiro de 2010 às 5:54 pm

  11. transitoriamente

    A moda agora é ser. É falar a verdade e ainda assim falar baixinho, com a serenidade que o respeito pede. É olhar no olho e sentir, e pensar e dizer. A moda agora é a pele, é o calor e os arrepios.
    Quem se vestiria disso hoje em dia?
    Abraços,
    Antonio Rossa

    17 de janeiro de 2010 às 3:33 am

  12. só vale a pena mesmo se ainda te dá aquele friozinho na barriga! um beijo.

    20 de janeiro de 2010 às 2:43 am

  13. Adorei o texto, não poderia concordar mais! Essa certa “dominação” da Luminosidade é realmente um assunto a se questionar. De qualquer maneira, as rendeiras de SC me parecem bem mais interessantes ;)

    20 de janeiro de 2010 às 6:51 pm

  14. alessandra

    O Texto é perfeito….a falta de critica negativa na midia me deixou com a impressão que ninguem erra no mundo da moda…tudo foi perfeito…Será?? E o lado comercial da moda.qeu movimenta milhoes…tem que ficar fora?? não sei talvez eu não entenda o suficiente desse mundo glamuroso, vivo da moda, adoro moda, mas confesso que me senti a parte neste contexto. Tudo estava certo ninguem errou me respondam???

    24 de janeiro de 2010 às 12:58 am

  15. Patricia,adorei seu texto.Genial e muito sensato.
    Um bj, Stuart

    15 de fevereiro de 2010 às 8:43 am

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