Look de papel no desfile da Dior

 

Qual é a necessidade real que as pessoas tem em serem aceitos dentro de um universo? Até onde vai a vontade de fazer parte de um grupo de pessoas? Fiquei pensando nisso depois de uma entrevista que fiz lá em Paris…

 

A entrada do desfile da Dior é um dos momentos de maior glamour nas semanas internacionais, muito mais do que Chanel, por exemplo, que o clássico toma conta dos convidados e não vemos muitas produções de chamar a atenção. Dior provoca uma verdadeira catarse entre os convidados, que desfilam seus sapatos altíssimos e caríssimos, construídos com peças impecáveis e bolsas incríveis, tudo das marcas mais caras. As clientes da Dior parecem ter saído das páginas dos editorias de moda direto para o desfile da marca.

 

Quando estávamos fazendo uma pauta no Jardin des Tullerie, em Paris, momentos antes de começar o desfile da Dior, encontrei uma pessoa que me chamou atenção. Na verdade, chamou atenção de todas as pessoas em volta, principalmente da imprensa pela maneira que ele estava vestido. Uma plataforma feita de madeira servia de suporte para um sapato Dior comprado de um amigo, a legging era de jornal todo colado com fita crepe, o maxi colar feito de galhos de árvore. Amei a criatividade, mas depois fiquei me questionando se isso é atitude de alguém extremamente seguro de si ou se é a enorme necessidade de ser visto como os outros? Veja a entrevista com ele:

 

Qual é a sua opinião sobre isso?

 

 

 

 

6 Respostas

  1. Marina Rosa

    Eu também gostei da criatividade dele. Acho legal a segurança de fazer uma produção diferente para tentar entrar na moda. Muito bacana essa reflexão sobre o vídeo.

    3 de novembro de 2009 às 12:10 am

  2. Sa Correia

    Moda é a maneira de se expressar, ele fez isso. Eu gostei muito da produção, achei divertida.

    3 de novembro de 2009 às 6:03 pm

  3. transitoriamente

    As pessoas, de um modo geral, não me parecem muito seguras de si. Aliás, rivotril vende mais do que camisetas básicas. Qual o nexo da tendência nesse caso?

    Abs de cara limpa, Antonio

    4 de novembro de 2009 às 1:47 pm

  4. flavia

    Patz,
    Essa pergunta, se vc conseguir responder (sem ser em forma de tese de mestrado) vai ganhar rios e rios de dinheiro.
    Hoje mesmo estava pensando em algo parecido ao relembrar algumas cenas da minha cobertura do evento No Capricho, em SP. Lembrei, como todas as adolescentes estavam MONTADÍSSIMAS e absolutamente felizes de posar para a minha lente.Algumas até me pediam para serem fotografadas, outras ficavam realmente tristes e meio mal de não terem sido escolhidas para aparecer na foto. A coisa mais nítida era: a vontade de aparecer era IMENSA, nem que fosse na tela da camera da melhor amiga, mas ter as suas imagens retradas em qq coisa digital era importantíssimo…tnato que quando alguem perguntou do palco “quem tem camera levanta a mão”, um mar de maquinas digitais, celulares fizeram uma aparição digna de show de rock quando o pessoal acendia o isqueiro para aquela música mais melosa.
    E olha que, vai ver, lá no fundo, ela (a adolescente montada) nem é tão hype assim, mas hoje, me parece que o mainstream é ser celebridade, ou melhor é ser celebrado pelas câmeras alheias, postado em algum blog, aparecer de alguma forma em algum lugar. Deixar de ser gota no oceano, ou ser algo além do queridinho da mamãe e amigo dos amigos.
    E hoje, vivemos nessa mundo onde a cultura é visual, nossos olhos veem mais as telas do computador, da TV, dos nossos smartphones, que o mundo MUNDO, aquele que ainda dá pra tocar. Isso não é crítica, é só observação. Então, para viver nesse mundo ou para achar que se está vivendo realmente dentro deste mundo, há uma doida vontade de ser visto. Vontade ou necessidade?
    Os dois, sei lá.
    Acho que o caso do Dior é só mais um exemplo do mainstream hoje. Um exemplo, divertido, bizarro e diferente…conceitos que tb pontuam nossa cultura visual.
    A próxima tendência será o anonimato, como ja apontam Bansky, Margiela, e as festas onde é proibido fotografar.
    Num mundo onde celebrida é o normal, o must é brincar de pique esconde e ser uma icognita. Olha sõ que legal – os ICOGNITOS
    rsss
    bjs
    sory, filosofei.

    4 de novembro de 2009 às 6:29 pm

  5. transitoriamente

    Legal o que a Flávia falou.
    Nos últimos anos nos foi dado uma espécie de “janela para o mundo”, com as novas tecnologias sendo a ponta da lança desse sistema. Uma possibilidade sem igual de poder encontrar pessoas com pensamentos afins, conhecer coisas novas, em suma, uma sensação de pertencimento que muitos ainda não haviam provado.

    Por outro lado, ainda existe a surpresa de encontrar alguém que você só tem contato pelo msn, e que quando ao vivo as coisas ficam difíceis, a conversa não sai, o cheiro não bate. Isto quer dizer, aparentemente, que certas distâncias ainda permanecem longas, pois o “mundo para dentro de nós” acabou sendo meio que esquecido, ou domado por analgésicos de ocasião.

    Então nós acabamos por construir essa “segunda persona”, que nós não sabemos ao certo quem é, talvez um alter-ego agoniado, uma projeção daquilo que gostaríamos de ser. Será que seremos?

    Então eu vejo a crise mais de cima para baixo, mais de dentro para fora, do que seus opostos, pois o Mainstream passou a disputar espaço com o Myspace e o Orkut do João, e salvo aqueles que possuem costas “super quentes”, ficou um espaço de indefinições, uma cultura indefinida e quase incapaz de “iconizar” algo. Há uma crise de valores nisso tudo, não tenho dúvidas, a grande questão é: como mediar o que é para ser livre? Como construir ícones que espelhem a efemeridade desse caos?

    Ao meu ver a tecnologia do futuro fará com que o homem passe a ser o que ele era antes, apenas com a facilidade de se ter a mão uma comunicação veloz e universal.

    O desktop trouxe o homem de volta ao enclausuramento Industrial do século XVIII. Então, até certo ponto, isso ainda é retrocesso. Aos poucos talvez a gente saia desse casulo, e então veremos que a crise real não diz respeito a apenas aparecer ou não, ela se refere ao lado de dentro e de fora, e a nossa dúvida em saber de que lado nós estamos.

    Que calor digitar tudo isso. rsrs

    Um abraço,
    Antonio

    4 de novembro de 2009 às 6:57 pm

  6. transitoriamente

    Perdão pelo “HAVIAM”. Escapou. rs

    4 de novembro de 2009 às 7:02 pm

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