O Futuro da moda ao Brasil pertence.

Acharam que eu tinha esquecido do post sobre o evento da Apex/ Abit? Não esqueci não, mas com tantas coisas para fazer, estava difícil tirar um tempinho para escrever e contar um pouquinho do que vimos para o futuro da moda brasileira.

 

O Futuro da moda ao Brasil pertence.

 

Se depender da visão dos empresários têxteis brasileiros, já podemos contar com o Brasil fora da crise financeira mundial. Saímos sem nenhum arranhão desse obstáculo, é possível dizer até que saímos fortalecidos perante outros países. Os empresários do setor apontam ainda o fato do consumidor brasileiro ter recuado, por cautela, temporariamente nas compras, mas a mudança no cenário já é vista como certa, porque aos poucos o consumo está voltando ao normal. Conclusões como essas foram discutidas durante evento realizado pela APEX Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), na Casa ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), em SP. A convite da Apex Brasil fui conferir um dia com agenda repleta por pautas importantes, como por exemplo, a apresentação do estudo realizado pela empresa A.T. Kearney, que trouxe dados sobre “Oportunidades de investimentos globais no varejo em mercados emergentes”. Com muitas tabelas e gráficos, a empresa mostrou o futuro promissor que o mercado de moda brasileiro tem pela frente e explicou as características que nos colocam à frente de outros países emergentes.

 

Quando os números relatam o consumo geral, o GRDI 2009 aponta a Índia como país de maior atratividade e o Brasil aparece, muito bem colocado, em 8o lugar no ranking. Porém, se fecharmos mais a pesquisa e direcionarmos para o pais com maior atratividade no mercado de vestuário, o Brasil salta para primeiro do ranking pela segunda vez consecutiva, mostrando nossa forte cultura de consumo. Somos movidos a moda, o brasileiro gosta dos movimentos culturais da moda e é altamente influenciado pela cultura das novelas, o que gera um enorme consumo no vestuário, fazendo que tenhamos um valor médio de US$ 460 per capita de consumo no vestuário. Um número seis vezes maior que a China. Comprova que a população brasileira dedica parte significativa da sua renda com roupa e esse foi um dos fatores que nos ajudou a manter o consumo interno durante a crise mundial. Esses dados complementam informações como: o SPFW só perder para o futebol quando se trata de mídia espontânea e ainda a moda ser responsável pelo segunda maior geração de vagas de emprego no país, perdendo apenas para a construção civil. Essa riqueza de mercado tem sido percebida pelos grandes players mundiais como Zara, H&M e tantos outros. Segundo dados apresentados por Fernando Pimentel (ABIT), durante a SPFW, ainda há muito a desenvolver no varejo brasileiro. Com mais de 5.500 municípios, temos concentração de distribuição em 150 municípios, com presença das grandes redes de varejo em apenas 60 municípios. Ou seja, ainda há muito a expandir.

A alta atratividade do mercado brasileiro já é uma realidade no mercado de luxo, o Brasil é hoje um dos principais destinos de investimentos para varejistas globais. Apenas em 2008 foram mais de 20 marcas internacionais que iniciaram suas operações de varejo no Brasil, para os próximos cinco anos mais de 50 importantes marcas anunciaram o lançamento de operações de varejo no nosso país. O investimento estrangeiro, combinado a baixo controle do governo sobre preços e aumento da renda disponível, aumentaram as vendas no varejo de vestuário em 23% desde 2004. Temos força na América Latina como economia dominante, mais de da metade do PIB da região é nosso e outro fator fundamental para colocar o Brasil como grande aposta entre os emergentes é a nossa população jovem, mais de 60% tem menos de 29 anos.

Toda essa atratividade irá acontecer na prática através de aquisições. Muitas das empresa internacionais que desejarem entrar no nosso mercado não terão informações suficiente para lidar com uma cultura tão peculiar, é nesse momento que acontecerão aquisições regionais e parcerias entre grandes potências do varejo com redes de distribuição menores. O capital “humano”, a mão-de-obra especializada será valiosa nesse período de conquista no mercado brasileiro, na cadeia têxtil quem trabalha com Private Label (empresa que produz para outras marcas) poderá estabelecer parcerias com essas grandes empresas.

Além das tendências para o varejo, foram apontadas seis tendências para o mercado de vestuário brasileiro, entre elas o enfraquecimento da lealdade a marcas. Assim como aconteceu na China, o consumidor está aprendendo a valorizar mais as marcas locais, que são as grandes concorrentes das grandes redes. Em pouco tempo passará o “encantamento” por grifes internacionais, até mesmo porque outra tendência é a sensibilidade maior ao preço do produto.

 

Mas nem tudo são flores, o setor têxtil continua enfrentando fortes concorrentes estrangeiros. Em 2008, o varejo cresceu em torno de 6%, enquanto a importação cresceu 25% (grande parte vinda da China), um grande desafio para qualquer mercado. O aumento de consumo por parte da população, não significa aumento de investimento por parte da indústria, o que não gera crescimento de mercado e não impulciona a exportação, que é fundamental para o crescimento do país. Os empresários reclamam da capacidade ociosa das suas indústrias, ainda há produção que deveria estar acontecendo e não está. Exportação que deveria acontecer, está sem mercado comprador e onde tínhamos uma boa negociação, perdemos espaço para China. Argentina, país vizinho, trocou o produto brasileiro pelo chinês, reduzindo nossa atuação de 41% para 23% no mercado argentino.

 

Alta taxa de impostos é outro fator preocupante, uma calça jeans chega a ter 35% de impostos embutidos em seu valor final. Ter o produto brasileiro tão caro não ajuda nossas marcas e criadores, pelo contrário, dificulta nossa entrada no mercado internacional. De nada adianta sermos reconhecidos mundialmente pela criatividade, sem termos competitividade. Uma das possibilidades que vem sendo estudada junto ao Governo brasileiro é a “Cesta Básica Têxtil”, que tem como objetivo ajudar a indústria têxtil com a redução de impostos em alguns produtos, como uniformes escolares/militares e lençóis de cama de hospitais, que muitas vezes são produzidos com matéria- prima chinesa.

 

O que precisamos é unir todas as pontas da cadeia da moda brasileira, principalmente indústria e criadores, que ainda estão atuando com distância um do outro. Além da união, precisamos ainda de planejamento e maior visão de futuro para trabalhar novos produtos, tecnologias e investir em pesquisas. Oskar Metsavaht, Presidente da Osklen (também presente no evento) foi enfático ao constar que até hoje nenhuma indústria têxtil brasileira o procurou para estudarem um novo fio ou tecido para os próximos cinco anos. Sem iniciativas como essa, podemos perder a grande oportunidade que está batendo a nossa porta para países como Índia e Romênia, que só nos últimos cinco anos cresceu 35%. Na sua opinião, o futuro da moda pertence a quem?

 

apex

 


8 Respostas

  1. Muito interessante

    dados muito relevantes.

    24 de agosto de 2009 às 2:47 pm

  2. Márcia Mesquita

    nossa, MARAVILHOSO esse post, Pat!!!
    Vou imprimir e levar pro pessoal da pós na Santa Marcelina.

    bjsss

    24 de agosto de 2009 às 5:59 pm

  3. Belíssimo texto!!

    O futuro a nós pertence e se não nos mobilizarmos ele vira presente e não saímos do lugar! O Brasil precisa de profissionalização, nosso maior desafio indústrial é tem uma boa mão de obra que diminua essa capacidade produtiva ociosa, motivada a produzir mais e melhor, para assim termos bons produtos e podermos exportar!

    Grande beijo Paty e mto obrigado pela OVERDOSE!

    24 de agosto de 2009 às 6:02 pm

  4. Raquel

    ” ainda a moda ser responsável pelo segunda maior geração de vagas de emprego no país, perdendo apenas para a construção civil.”
    han? eu li direito?
    sou leiga no assunto, mas acho essa informação está correta?

    24 de agosto de 2009 às 7:22 pm

  5. Marcella Zambardino

    Oi Pati!
    Excelente postagem! Esse texto é incentivador e extremamente relevante! Acredito muito no nosso potencial, e como o “Kenzo” mesmo já disse em uma palestra ano passado aqui no brasil, as tendências de moda estão aqui também. Devemos para de olhar tanto pra lá, afinal ele oolhou pra cá primeiro!

    Quanto aos tecidos chineses, sou compltamente contra e procuro nunca utilizá-los. Já que o preço final terá que ser mais caro, cabe à marca passar essa concientização para o consumidor.

    Já escaminhei para algumas pessoas até!

    Obrigada!!

    Marcella.

    24 de agosto de 2009 às 11:53 pm

  6. Fernanda Oliveira

    Se a moda brasileira contasse com mais patricias lima atuando, muito poderia evoluir.

    Grande post.

    26 de agosto de 2009 às 2:19 am

  7. fraulline

    PATZ,
    o futuro pertence à tecnologia, pertence ao artesanato com design, pertence à um plano mais competitivo de negócios, pertence à classe C que sustenta a moda, pertence à nossa capacidade de se organizar e entregar os produtos no prazo. gostei do post, mas cuidado com a purpurina da ABIT, a festa é meio esquisita ali.

    27 de agosto de 2009 às 12:29 am

  8. Pingback: porque o Fashion’s Night Out não existiu no Bra$il « des+con+str+o´i

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