Minas Trend Preview e o meu balanço final.

Não foi a primeira vez da Catarina no Minas Trend Preview, mas foi a minha primeira vez no evento. Fiquei em BH de terça a sábado, muito tempo para o que o evento propõe. A essência é uma feira de negócios, que em função da data de realização, provoca debate entre os expositores. Para o setor calçadista é uma ótima oportunidade para avaliar a coleção proposta para o verão 2010 e ainda ajustar (se necessário) para a Francal, já os expositores do vestuário reclamam da data precoce da feira porque os lojistas ainda não conseguiram comercializar seus produtos de inverno e estão sem capital de giro para investir na compra de verão. Muitos esperam para fazer suas compras em junho e julho nos showroons para receber o produto em setembro.

 

O público poderia ser mais presente se o evento acontecesse em lugares mais centrais de BH. Do nosso hotel até o evento levávamos cinqüenta minutos, uma enorme viagem que acaba cansando demais quem tem que estar lá todos os dias para cobrir. Os desfiles coletivos são corretinhos, completam o tom de feira que o evento se propõe. Incomoda saber do enorme orçamento de sete milhões de reais que o evento detém e o que é feito com esse dinheiro todo. A falta de conceito não pode ser responsabilizada por falta de idéias interessantes, porque isso tem sim. Na conversa com o Ronaldo Fraga, ele comentou que sugeriu (em vão) inúmeras vezes locais mais interessantes para a realização do evento, lugares que valorizariam inclusive o turismo na cidade, o que não acontece hoje em dia.

 

A força empresarial impulsiona o evento claramente. Com bons patrocinadores, o estado está trabalhando sua imagem no setor têxtil com base no apoio político, comenta-se que esse grande impulso vem do compromisso de Aécio Neves com o setor que o ajudou durante sua campanha.

 

O que vale a pena é ver a qualidade dos produtos expostos no Minas Trend Preview. As peças muito bem acabadas comprovam a tradição do estado no setor têxtil e na mão de obra qualificada. Mas lembro muito bem das características da moda mineira, que era carregada de trabalhos manuais, rendas, cores fortes e excesso de informação… Lembro da época em que minha mãe tinha loja e trabalhava com marcas de Minas Gerais, nessa época eu deveria ter meus 13/14 anos e passava boa parte do tempo na loja olhando aquelas mulheres comprarem roupas que (na época) eu achava horrível. Hoje, muitos anos depois (rs), minha percepção mudou completamente e ao ver produtos tão bons, senti falta do tempero mineiro. A moda está globalizada sim, mas nem por isso saí satisfeita em voltar para Floripa apenas com um item bem mineiro na mala e que não tinha nada a ver com moda: dois litros de cachaça tipicamente mineira que ganhamos no press kit.

Uma resposta

  1. Victor Hugo Finn

    Desde que descobri o seu blog, acesso sempre. Admiro pessoas com personalidade e opiniao como você. É o melhor texto que li sobre o Minas Trend Preview, Parabens!

    5 de maio de 2009 às 3:34 am

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