SCMC provoca reflexões e debates entre jornalistas

Eu tenho uma relação direta e emocional com o SCMC, como todos sabem. Minha história caminha paralelo ao projeto, que fechou seu quarto ano de atividade nesse final de semana, com dois dias de desfiles no hotel Recanto das Águas, em Balneário Camboriú.

 

O saldo final é bastante positivo, porque muito mais do que nas outras edições, as coleções causaram reflexões profundas e discussões que poderiam levar dias sendo debatidas. Como estávamos assinando a comunicação geral do evento, desde a campanha até a assessoria de imprensa, tive a oportunidade de gerar uma cobertura diferente sobre o evento. Com carta branca para convidar um seleto time de profissionais para vir cobrir, selecionei aqueles que tem olhar apurado sobre o cenário da moda nacional.

 

Essa decisão foi tomada entre eu e o Mário Queiroz (que é diretor criativo do projeto), algum tempo atrás, onde refletimos e conversamos muito sobre o jornalismo de moda brasileiro. Quem realmente valia a pena trazer? Quem são os jornalistas que tem olhar apurado? A grande importância dos blogs no nosso mercado de comunicação de moda… E a principal decisão estava em NÃO trazer aqueles veículos que vão de evento em evento regional, muito mais à procura de diversão que análise do que vêem na passarela ou no mercado local de moda. Grande parte das assessorias de imprensa simplesmente disparam um convite geral para o mailing e quanto maior a clipagem, melhor o resultado. Aqui o processo não é esse. Primeiro porque não trabalho uma assessoria de imprensa padrão, aliás nada na Catarina é padrão. Somos uma plataforma de informação e estratégia, por isso temos esse posicionamento diferente. Segundo porque nosso foco está no futuro do segmento de um estado e isso é muito maior que qualquer coleção apresentada em uma passarela.

 

O SCMC causou uma repercussão interessante entre os jornalistas. Gerou muitos momentos de reflexão, debates e análises sobre o projeto e o mercado de moda brasileiro. Por muitos momentos, durante essa conversas, pude afastar meu campo de visão e perceber as movimentações que o projeto causa por um outro prisma. Ouvi atentamente tudo que cada jornalista colocou, foram visões riquíssimas sobre o que estamos vivenciando aqui no Estado. Opiniões diferentes uma das outras, que irão ajudar a construir novas etapas nesse processo do SCMC.

 

A Vivian Whitemann, da Folha de SP, fez questionamentos importantes, não sobre o SCMC, mas sobre a cultura geral dos nossos estudantes de moda. Sobre seus anseios e perspectiva de carreira, enquanto eu conversava com ela, ouvia minha própria voz respondendo coisas que até então não haviam sido explanadas.

 

O mesmo aconteceu durante minha conversa com o Vitor Ângelo, do blog Dus***** Infernus. Conversamos muito e em certo momento da conversa chegamos no tema “imagem de moda”, foi aí que consegui decifrar a grande carência dos nossos estudantes de moda. Tinha algo que eu sabia e sentia a necessidade nos nossos alunos, mas sozinha não conseguia decifrar. A ausência de paixão pela imagem de moda, a falta de estudo sobre o tema é um grande problema que temos que solucionar. Porque a imagem de moda é o que move o mercado, que nos faz viciar em determinado produto ou ainda parar por segundos (embasbacados) na frente de um look incrível, de uma grande foto. Já estou vendo com o Vitor a possibilidade em trazê-lo para desenvolver isso com nossos estudantes.

 

Bem, todos os jornalistas que estiveram presentes, agregaram muito. Fiquei bastante impressionada com o carinho que todos tiveram com o projeto em si, sempre deixando claro a certeza de que esse é um projeto único, que merece ser acompanhado de perto. Eu só tenho que agradecer a TODOS que vieram até SC nos prestigiar.

 

E também agradecer especialmente ao Cristiano Santos, do Jornal de Santa Catarina, que foi prestigiar os dois dias de desfiles. O Cris era um dos poucos jornalistas de SC presentes no evento, não por falta de convite, porque nós convidamos muito a imprensa local…  Cadê a imprensa regional? As profissionais que se dizem “jornalistas de moda?” Desculpa, mas não consigo respeitar jornalistas de SC, que dizem trabalhar com moda, ignorar o projeto de maior peso que temos no estado.

 

Enfim…

 

Em um ponto, eu e todos os jornalistas presentes concordamos, SC tem muita sorte em ter um pólo têxtil incrível com um time de grandes empresários dispostos a investir e batalhar por um mercado mais preparado e competitivo. Isso é único e por isso o SCMC é tão especial!

 

Ah, não perca os posts sobre o SCMC:

 

Fora de Moda, por Ricardo Oliveros, aqui e aqui.

About Fashion, por Luigi Torre, aqui.

Lílian Pacce, por Glauco Sabino, aqui e aqui

 

Amanhã coloco o link aqui para os outros posts,ok?

 

 

 

6 Respostas

  1. Pingback: Fashion » Blog Archive » SCMC causa reflexões e debates entre jornalistas

  2. dpartida

    Oi Pat,
    No primeiro evento, não sei se comentei com você, mas certamente comentei com o então presidente do SCMC, o Rui, sobre a questão da cultura de moda desses alunos. Isso, no primeiro evento, foi o que me parecia mais nítido (o distanciamento de uma cultura mais “up to date”). Mas essa sensação acho que é o primeiro baque que todos do circuito Rio-SP, tem. (tô me considerando veterana e defensora do SCMC- você tinha que me ver naquele almoço, rsss. Vcs fizeram o branding direitinho, virei advogada da marca).
    Cutucada por essa impressão, no evento número 3, o Rui me disse que ja existiam projetos de patrocínio à professores (alguns iam até estudar fora) e a palestras para atualizar não só os alunos, como os professores. Vide a super vida do Mafessoli, que por mais caraminholas que colocou na cabeça de todos foi um ponto muito assertivo nessa injeção de cultura de moda em SC.
    Aliás, acho que não dá para colocar esse peso todo no colo dos alunos pois é importante ver quem está orientando, qual sua formação, ou melhor, qual o grau de SEDE de informação existe nessas pessoas?
    Sobre a questão da “imagem de moda”, confesso que fiquei meio boiando. O que seria isso?
    Se for o que eu entendi, como se fosse um conhecimento mais maduro e contemporâneo do que é a moda, acho que a imagem de moda se constrói quando existem bases sólidas dentro do aprendizado (volto a questão dos professores). Não me refiro apenas a boas aulas de história da moda, mas a exercícios constantes de laboratório de criação e pesquisa de moda. Muito, mas muito mesmo. Admiro demais o trabalho do Senac de SP, que a passos de formiguinha consegue se destacar nesse processo. Ainda amis com uma cultura de aprendizado interdisciplinar onde tudo de funde (moda, arquitetura, gastronomia…).
    Desacredito nas ações que apenas pontuam, como num painel de imagens, aquilo que está na moda hoje. Acho que num certo momento elas até são válidas (mais válidas quando ja existe uma cultura de moda bem sólida), para manter o povo a par do compasso dos tempos, ou a par dos outros “povos” da moda. mas se isso é frágil, ou ainda em formação, o propósito de mostrar para alunos professores e empresários a imagem de moda desta estação, ou deste “mood”, muitas vezes acaba anulando um trabalho individual e fomentando a cópia e a confussão ainda maior na cabeça de todos sobre o que é moda.
    Falando quase como uma político num palanque, eu acredito que é fundamental ir no fundamental, rsss. Ou seja dar bases ao exercício criativo, ensinar as razões e os caminhos de uma pesquisa excelente, fertilizar o caminho para que os alunos e professores descubram a imagem de moda de Santa Catarina e não encaixem seus trabalhos em moldes pré-estabelecidos, sejam eles baseados na “imagem de moda” do Rio, SP, Paris ou qualquer outro lugar.
    Boa sorte e, você sabe o quanto quero que isso dê certo. kisses
    ps. criei um blog – Fashion Detox..qdo tiver mais “gordinho” te mando o link.

    24 de março de 2009 às 12:01 pm

  3. dpartida

    ps. desculpem os erros de português…me empolgo e não reviso!

    24 de março de 2009 às 12:04 pm

  4. Amiga, manda já esse link do blog novo. (rs) Vc sabe que sou curiosa!!!

    Olha só, o Rui faz parte do conselho, agora o presidente é o Jaison Bogo, da Iriá/ Maré Cheia.

    E sobre a imagem de moda, não acredito que é algo para ser trabalhado em uma palestra. Por isso, a conversa já foi sobre a possibilidade de fazer algo a longo prazo. E a imagem de moda a que nos referimos não é só um entendimento maduro sobre o que é moda contemporânea, mas sim o despertar essa sede de informações que vc tb comentou.

    Não vejo as informações necessárias sobre essa força de imagem nas pessoas que estão capacitando os alunos. Aqui, em SC, vejo informações bastante técnicas e voltadas para a indústria (o que é muito importante), mas a carência de construção de imagem é visível.

    Concordo quando você fala em descobrirmos a nossa própria imagem de moda de SC, mas para isso é preciso sair no mercado e ver o que está acontecendo no mundo, assim veremos que nosso DNA permite uma construção sólida de valores próprios.

    bjos

    24 de março de 2009 às 1:39 pm

  5. Oi Pat, sabe do carinho que tenho pelo projeto e citei sua batalha em trazer os blogueiros para o evento. Estou ainda subindo mais posts sobre o evento, mas meu tempo está tão curto. Slow blogging rs. Muito obrigado pela recepção de sempre!!! Não perca o último post sobre o Recanto e a minha famosa jacuzzi…..

    24 de março de 2009 às 3:05 pm

  6. Pingback: » Blog Archive » SCMC: private labels ficam no meio do caminho

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