A real democratização da moda

Se você quiser entender esse texto abaixo, leia antes esse post do Luigi, no About Fashion. (um dos colaboradores da Catarina e amo a linha de raciocínio que ele constrói) E essa colagem abaixo,da Miss Dior, é para o blog começar a semana com uma imagem fofa.

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Acredito que a moda vai muito além do universo do SPFW sim. E a democratização só será realidade quando os profissionais que freqüentam o SPFW saírem da redoma do glamour e encararem a realidade da indústria da moda brasileira.

Tomo a liberdade de falar isso, porque estou fora (até geograficamente) desse universo. Freqüento, cubro, mas não esqueço em momento algum que a moda real é aquela que vende, que está nas lojas. (Até mesmo porque trabalho com grandes empresas e marcas que produzem para a classe C e D). Então, está na hora de sabermos exatamente que aquele universo é apenas uma das etapas da moda e o que vale é o que o consumidor final irá comprar. (Aproveito a deixa do Luigi, para estender a discussão para a democratização da informação)

 

Democratizar a informação da moda é tentar disseminar aquilo que poucas pessoas têm acesso e também buscar as informações mais distantes. O Brasil é grande demais, muita coisa no mercado da moda acontece por aí afora e poucas pessoas se interessam em saber.  Me questiono muitas vezes porque o interesse gira em torno das informações de Rio-SP, porque já se foi o tempo em que só o que acontecia lá tinha valor ou era interessante, mas eu mesma me respondo (eu e meus botões. rs) que as pessoas gostam do glamour e é por isso que preferem viver nessa redoma SPFW.

 

Posso falar honestamente que luto pela democratização da informação da moda. Porque tenho há três anos uma revista produzida fora do eixo Rio-SP, que é distribuída nacionalmente desde sua primeira edição e traz informações globais… Mas mesmo assim leva o rótulo de mídia regional. Isso me irrita muito, não porque acho o regional pejorativo, de maneira alguma, mas a luta é exatamente essa, globalizar a informação de moda.

 

Quem coloca esse rótulo? Os próprios profissionais de moda que mantém um olhar viciado, porque são eles que consideram um veiculo de outro estado, que não seja de SP ou do Rio, como “regional”. Então cadê a vontade real de democratizar a informação de moda?

 

Democratizar a informação de moda é realizar um programa de moda em canal aberto e oferecer com a linguagem mais simples do mundo a explicação do que é a moda internacional e de como isso vai chegar aqui no Brasil. Isso a nossa equipe tenta fazer todas as semanas no nosso programa de TV e mesmo com pouco tempo no ar, posso dizer que as pessoas de classe C e D têm interesse em moda sim. Porque são elas as maiores interessadas no nosso programa. Já recebi um “muito obrigada” de uma empregada doméstica porque através de um quadro do nosso programa descobriu o que era trench coat. Aliás, tenho muito mais retorno das pessoas de classes C e D, do que de estudantes de moda daqui do estado. Verdade mesmo!

Já o fato de a revista Claudia trazer peças de 700 reais, na minha opinião é uma outra questão, que envolve nosso mercado, valorização da criatividade brasileira ( esteja certo ou errado) , do posicionamento do governo brasileiro em relação a industria têxtil e por aí vai… Hênio Filho, diretor da empresa mineira Cataguases, falou um pouco sobre isso quando o entrevistei na Premiére Vision, o vídeo da matéria é esse abaixo.

 

 

Que o mercado “popular” busca a informação de moda na roupa, também não tenho dúvidas. Duas semanas atrás, estava conversando com a Amélia Malheiros, da Hering, exatamente sobre isso. Ela comentou que a marca vive um momento incrível, que quanto mais eles agregam a informação de moda nas peças, mas vendem e batem recordes. Se ainda resta alguma dúvida disso, basta buscar as respostas nas feiras, o que muitos dos formadores de opinião não fazem, porque feira parece estar um degrau abaixo das semanas de moda. Grande engano, porque é ali que vemos o mercado real e cada vez mais agregando informação de moda nos seus produtos e estratégias de venda. 

Falar em democratizar é bacana, mas quem realmente tenta quebrar essas barreiras e fazer algo? Não está na hora de ter relações entre estados? Ou então entre eventos? Bem, eu tento democratizar, busco ao máximo essa quebra de barreiras, mas sei como é difícil… E você? O que faz pela democratização? Ou então, o que pensa sobre o assunto?

 

 

 

 

 

 

 

 

13 Respostas

  1. Renata Andam

    Patricia, sou de maceió e sei que não há interesse em democratizar a moda. Aqui são poucas as informaçãos de moda que chegam até nós, sonho que um dia isso mude, mas não tenho muitas esperanças.

    Renata Andam

    1 de dezembro de 2008 às 12:37 pm

  2. Viviane Truck

    Patricia, qual é o seu email? Adorei o post quero falar com vc sobre uma idéia.

    Aguardo.
    Atenciosamente,

    1 de dezembro de 2008 às 3:31 pm

  3. Olá Patricia, primeiro queria te parabenizar pela iniciativa.
    Realmente temos a impressão que a moda é blindada e é um grupinho para poucos, tanto quando falamos nos profissionais de moda, ou quando falamos na democratização da própria moda ou simplesmente da informação de moda.
    Acredito que a moda tem ano após ano, tem evoluido na medida do possível e os blogs tem contribuido em muito com esses objetivos, os blogs dos profissionais já reconhecidos, os blogs de jornalistas de moda e o blog dos anônimos, me incluo nesse último grupo, que acredito tenham uma maior proximidade com o consumidor de moda em geral.
    No meu caso ainda por cima, que tenho um blog de moda masculina, sinto que a informação não tem chegado ao publico, ou se chega não é bem recebida.
    Há muito preconceito a ser combatido. O principal deles é que moda é fútil, é para a elite… outra é que moda não é para homens, bem do tipo que homem que é homem não se preocupa com moda.
    Mas o grande lance é que falta perceber que as grifes são divididas por publico alvo, mas mesmo assim todo mundo quer abocanhar a classe AAA. Deixando outras classes carentes de criação, qualidade, etc…
    Xi Patricia já estou me alongando e não consegui expressar tudo o que penso, creio que é um assunto que não vai ter um ponto final, mas que a vontade de discutí-lo já é um excelente começo.
    Abraços

    1 de dezembro de 2008 às 4:45 pm

  4. Muito bom o post. O do Luigi também. Aliás, ele sempre trata desse assunto no dele, me identifico por isso porque, ao mesmo tempo que gosto de moda, de jornalismo de moda, produção, etc; quando páro e reflito sobre o mundo real, me parece que é tudo um pouco inútil. De que adianta passar informação de moda se o público não se identifica com o que é mostrado?
    já trabalhei num veículo com público que ia de B ao D e era muito dificil (não só pq não tinha verba pra produzir, mas porque acaba que quem faz acha que o público não vai entender o que é passado). Subestima-se o público…

    e acho que também ainda existe muito preconceito de quem é “entendido”. outro dia o Vitor Angelo fez umas fotos de rua para a Uol e fizeram comentários preconceituosos porque ele fotografou pessoas comum, nas estações de trem e metrô.

    e sobre sair do eixo rio-sp, lembrei de uma aula do curso da Iesa Rodrigues no Senac. Perguntamos o que ela achava de ir estudar fora, ela respondeu: é bom, mas como ir estudar o mercado lá de fora se a gente nem conhece o nosso? e pior que é verdade.

    aff, escrevi muito!!! hahha
    bjs

    1 de dezembro de 2008 às 6:12 pm

  5. Pat, acredito que o ponto-chave realmente são as feiras. Como vc falou “basta buscar as respostas nas feiras, o que muitos dos formadores de opinião não fazem, porque feira parece estar um degrau abaixo das semanas de moda”.

    Eu vejo na Catarina a ponta do alfinete, estourando a bolha. É só acompanhar o que fazemos e é tão nítido que a cada dia falamos mais e mais a uma variedade de público. Enriquece a mente. Não a de quem nos escuta, mas a nossa própria, que percebe que é possível levar essa informação a uma grande parcela da população que está lá… ansiosa para ouvir.

    2 de dezembro de 2008 às 3:22 am

  6. Pingback: democratização ou desconstrução? « me descontrói por favor

  7. Oi Patrícia…
    olha..amo este assunto e acho que tem muitas coisas pra falar a respito!!!

    Tomara que um dia possamos falar de moda pra todos e em todos os lugares…sem preconceitos, sem ironias…

    um beijão!

    2 de dezembro de 2008 às 6:17 pm

  8. Kaká Marinho

    Infelizmente, parece-me que informação de moda para as classes C e D só é absorvida, ainda, mesmo que erroneamente, através de novelas.
    A necessidade da democratização da informação na moda é urgente, principalmente por uma questão de expressão, comunicação, de sentir-se bem na própria pele.
    A área ainda é tido como elitista e fútil. Cabe a nós, que temos certa consciência sobre o assunto, abrir portas para discussões, na tentativa de criar uma cultura voltada para a democratização da moda.
    Os blogs têm uma grande importância – e responsabilidade, por quê não? – nessa questão. Mesmo que ainda não massificada, a internet é a fonte de informação mais “confiável” e “acessível”, e os blogs têm se mostrado o canal mais interativo, aberto, que fala de moda real, do reflexo do hoje, da construção do “eu” na moda.

    2 de dezembro de 2008 às 6:57 pm

  9. A real democratização da moda já se faz presente neste Blog. Há um grande equívoco ao vincular Moda com High Society ou com produtos que tenham posicionamento unicamente de diferenciação. A Moda em sua essência está ligada à cultura, pesquisas, informação e tecnologia. Não há a necessidade específica de ser onerosa e cara.
    É claro que a diferenciação é importante e tem o seu segmento de mercado, mas – em minha opinião – a moda pode e deve estar presente nos mais diversos segmentos. É uma questão de identidade e, como mencionado anteriormente, de cultura e oportunidades.

    2 de dezembro de 2008 às 8:55 pm

  10. Rochelle

    Acredito que a democratização da moda já está acontecendo e só não é reconhecida pelos maiores influenciadores das informações de moda no Brasil. Já é certo que a classe C representa um grande poder de compra atualmente em diversos segmentos do mercado, inclusive na moda. O luxo e o glamour ainda são vistos como “carro-chefe” da moda nacional. Mas que moda seria essa? Esta moda que atende a uma pequena parcela da população? Sim, ela também faz parte, mas não é o todo. O que falta para a democratização caminhar mais rapidamente é o investimento do tema moda na cultura de massa, na cultura popular. Este já é um tema recorrente no cotidiano de todos, mas é tudo feito muito precariamente. É a sacoleira que vai a São Paulo e diz para sua cliente: “isto é o que está se usando agora”. São os grandes magazines vendendo araras inteiras da mesma peça e afirmando: “coleções inspiradas nos desfiles de Paris”. O reconhecimento das classes menos abastadas traria um crescimento importante para o mercado de moda nacional. Algumas empresas com perfil mais popular já reconhecem que este é o caminho. Mas elas não podem andar sozinhas. É necessário a disseminação da informação.A utilização dos meios de comunicação para que seja atingida toda a população, pois todos são clientes potenciais do produto moda. Tratando de produtos caros ou baratos, a comunicação de moda deve ser acessível à população em termos gerais. Assim, cada um poderia selecionar (com conhecimento adquirido) aquilo que torna-se mais relevante para seu interesse e suas condições.

    3 de dezembro de 2008 às 6:27 pm

  11. A democratização da moda acontece a cada momento – nas ruas, nos blogs, nas lojas e nas feiras – e, claro, nas nossas casas!

    Já Coco Chanel dizia que não se importava que o seu vestidinho preto fosse copiado, desde que chegasse a qualquer mulher, mesmo menos rica, e desde que qualquer uma o pudesse usar!

    É por isso que os blogs acabam por ser actualmente tão determinantes de tendências: são eles que antecipam o que a mulher comum, dona de casa, mãe de família, profissional de sucesso, QUER usar e VAI usar!

    São os blogs que tornam menos complicado o conceito de moda e fazem com que qualquer mulher possa ser, ao seu jeito, uma repórter de moda, na primeira pessoa!

    9 de dezembro de 2008 às 3:37 pm

  12. Acho que a democratização da informação de moda ainda é algo que não acontece e, para dizer a verdade, acredito não sei se acontecerá completamente.

    A moda pela sua essência carrega uma finitude em tudo que a envolve e esta morte pré-determinada não diz respeito apenas aos modelos, cores e formas da indústria, ela passa também pelo setor da informação.

    É como se “guardassem” as principais informações de moda apenas para um seleto grupo que, utilizaria esta informação previamente e, quando ela chegasse aos grandes meios de comunicação e atingisse um público maior, ela já não tivesse mais seu caráter inicial, de informação de moda bacana, atual e sim algo já comum, ultrapassado.

    Sei que pode parecer confuso, mas é propria dinâmica da moda que se aplica à sua comunicação. É claro que ñas mãos de alguns que apesar de alardearem a moda, fazem questão de mantê-la restrita e eletizada.
    Porém, quando meios de comunicação alternativos ou não oficiais começam a discutir a moda e colocá-la em pauta, já estamos caminhando para uma situação contrária, e acredito muito mais bacana.

    Através da discussão, da informação enriquecemos o mundo da moda e somos enriqueciso por ele. É muito interessante ver a comunicação romper barreiras, ultrapassar limites e levar algo novo a um público tão sedento quanto se mostra o público brasileiro.

    É nisso que devemos trabalhar, pois se conseguirmos, o cenário, será no mínimo bem mais interessante que o atual.

    9 de dezembro de 2008 às 9:25 pm

  13. Achei um site bem legal pra buscar informações sobre moda, aí vai o endereço: http://www.ziipi.com/result?pesquisa=moda

    12 de dezembro de 2008 às 1:55 pm

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