História do jeans – Segunda parte
Das ruas para as passarelas
Um dos primeiros a trazer o jeans para o mundo da alta costura foi o estilista norte-americano Calvin Klein. Ao colocar modelos para desfilar com peças do tecido, Klein foi visto com maus olhos pelos críticos mais conservadores, que mal imaginavam que aquele era o início de um caminho sem volta. Também se tornaram célebres a peças publicitárias da grife do estilista, que mostravam a jovem Brooke Shields ao lado da frase “Você sabe o que há entre mim e a minha Calvin? Nada.” Aos poucos, o preconceito foi caindo, e estilistas famosos, como Pierre Cardin, Jacques Fath e Van Cleef Arpels, incapazes de resistir àquela moda imposta de baixo para cima, criaram suas linhas. Yves Saint-Laurent chegou a declarar: “Eu gostaria de ter inventado o jeans. Ele tem expressão, sex appeal, simplicidade. Ou seja: tudo o que eu procuro em minhas roupas”. Surgia assim o conceito de design do jeans: peças com uma forte conotação de status, nas quais as logos estampadas eram tão ou mais importantes quanto o corte.
Essa onda teria seu ápice nos anos 80, com marcas como Jordache e Gloria Vanderbilt. Ao mesmo tempo, o jeans fazia as pessoas se darem conta da importância da criatividade e da autenticidade na hora de se vestir, bem como do valor do conforto e da praticidade. Era a moda casual que ganhava força. Essa aparente contradição entre o simples e o fashion, contudo, não foi capaz de enfraquecer a personalidade do jeans. Pelo contrário: democratizou o tecido, que se mostrava capaz de agradar a ricos e pobres, e ocupar espaço no armário tanto do yuppie quanto do operário. É com esse status que o jeans atravessou os anos 90 e entrou no século XXI com força total. Prova disso é que hoje, somente no Brasil, são produzidos 25 milhões de metros de jeans por mês. Como se vê, o jeans provou ser um tecido extremamente resistente e versátil, não só no dia-a-dia, como no decorrer dos séculos. Afinal, só ele seria capaz de resistir a corridas do ouro, cowboys, guerras, motoqueiros e ainda encarar um supermercado e uma vernissage no final do dia.



Patrícia, uma colaboração em tuas bem contadas História 1e 2 do jeans
Calça rancheiro e brincoringa
Em 1948, a Roupas AB, em São Paulo, lançou a primeira calça de brim azul, a Rancheiro. Não vez muito sucesso: o brim era rigido demais. Mas em São Paulo, o jeans durante muito tempo ficou conhecido como calça rancheiro. Um pouco mais tarde, a Alpargatas lança as calças Rodeio, feitas com o famoso brim Coringa. Dai os jeans brasileiros serem conhecidos também como “brincoringas”
Em 1956, a Alpargatas lançou a Far-West, a “calça que resiste a tudo”, como diziam os anúncios. Na Argentina a Alpargatas também lança a Far-West, lá a calca rancheira é chamada vaquero.
Calça americana ou calça Lee
O forte do jeans ainda era o trabalho, mas a calça já começava a acompanhar o lazer dos jovens de classe média. No começo da década de 60, quem tinha meios, trazia do exterior ou comprava de contrabandistas as famosas calças Lee, made in USA, que desbotavam. Os pilotos da Varig também foram grandes introdutores de calças Lee no país.
Lee virou sinônimo de jeans. Tanto que durante muito tempo se dizia “calça Lee” no lugar de jeans.
Em 1975, a H. D. Lee fez parceria com a fábrica da Renner, e as calças começaram a ser fabricadas em Porto Alegre, na rua Frederico Mentz, só que apesar do esforço do lançamento estava chegando ao fim o encanto das Lees. A qualidade também não era a mesma e não desbotavam como as americanas.
Ainda em 1982 o Vicunha associou-se ao Renner e comprou parte da Lee Confecções. . Em associação com o Bradesco e a Lee Confecções, concluiu-se a Vicunha Nordeste. Ainda em 1984, o Vicunha comprou as ações da Lee Confecções do grupo Renner. Nessa época, a Lee já havia ampliado sua participação no mercado para e anunciava a construção
de uma nova unidade em Fortaleza. Em 1986, a empresa anunciou investimentos
para ampliar a capacidade com o intuito de conquistar a segunda posição no
mercado de jeans, onde a líder era a US Top da Alpargatas.
De novo a Alpargatas
US Top lancada em 1972, com verdadeiro denim e tintura indigo blue, a primeira calça brasileira que desbota como a Lee americana. Em 1965 a Alpargatas já havia lançado a calça Topeka, cópia em detalhe da Lee, mas não era denim nem a tintura indigo blue.
Em 1974, a Levi’s adapta o corte do jeans aos gostos nacionais — calças justas na frente para os homens e atrás para as mulheres. E a Ellus introduz a moda dos stone washed.
Pioneira na fabricação de jeans no país, a Staroup foi fundada em São Paulo, no ano de 1956, pelo imigrante húngaro Johann Gordon, que produzia roupas de trabalho, inicialmente na Hungria, e posteriormente para escapar ao regime comunista, no norte do Marrocos. O país do Norte da África tem até hoje forte tradição na área têxtil. Importa equipamentos e matérias-primas e exporta produtos finais, especialmente para a União Européia.
“Não sabemos exatamente quanto tempo Gordon ficou no Marrocos. Mas sabemos que ele foi a primeira pessoa a fabricar jeans no Brasil”, conta Álvaro Pontes, presidente da Staroup há oito anos.
A empresa hoje é a maior exportadora de vestuário jeans do país. “Dos seis milhões de peças exportados pelo Brasil, um terço são da produção da Staroup”, destaca o executivo. As tecelagens Santista, Jauense e Capricórnio são as fornecedoras da Staroup.
Renato Kern
Setembro 17, 2008 em 10:55 pm